Em decorrência dos últimos acontecimentos políticos no Brasil e no mundo, passou-se a falar constantemente, na grande mídia, assim como em espaços acadêmicos, alternativos, blogs, e em todos os lugares onde se produz conteúdo, em guerra de narrativas.

 

Esse é um termo interessante, pois supõe que o espaço de poder é disputado com linguagem, com história e narração. Decerto é, quando deseja-se excluir alguém do universo cotidiano, e do que se chama de civilização, passa-se a produzir narrativas menosprezando, mistificando, estigmatizando os grupos-alvo, ou simplesmente apaga-se das histórias os citados grupos.

 

A Literatura, esse conjunto mundial de narrativas e de criações de objetos estéticos feitos por linguagem, reflete bem esse processo. A história da literatura também é a história de pessoas excluídas da própria literatura. 

 

Quando criamos a Biblioteca LGBTQI+ Arte de Amar, carinhosamente batizada de Luma de Andrade, primeira travesti brasileira a ter título de doutora no país, nossa vontade era unir, criar e divulgar narrativas em que pessoas LGBTQI+ existissem plenas em sua dignidade, em seu direito à vida e em seu poder de criação e transformação do mundo.